21 de jun de 2012

CONSPIRAÇÃO RELIGIOSA NA RIO+20







O pastor luterano e amigo da gente, Antonio Carlos Ribeiro, no seu blog Dia-logar: transcender a palavra, está cobrindo a participação das religiões na Rio+20. Resenhamos aqui os seus destaques, a começar pelo ato inter-religioso do último domingo, dia 17, com a presença de lideranças de igrejas, instituições e tradições religiosas, que marcou o início da Vigília da Cúpula dos Povos, reunida no Parque do Flamengo, no Rio, para intervir enquanto sociedade civil nas decisões da Conferência da ONU sobre sustentabilidade do planeta. A cerimônia começou com os elementos naturais e fundamentais à vida sendo trazidos ao altar. O fogo foi trazido por Comunidades Indígenas; a água, pelas mulheres; a terra, por integrantes da Via Campesina; e o ar, pelos Povos de Terreiro. No alto do altar constava a expressão ”Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns”. Em seguida, foram convidados representantes de tradições religiosas como as Igrejas Católica, Luterana, Anglicana, Metodista e Presbiteriana, o Islã, Brahma Kumaris, Xamanismo, Wicca, Espiritismo, Judaísmo, Santo Daime, Arca da Montanha Azul, Religião de Deus, Umbanda, Ifá, Navi, Paganismo, Banto, Keto, Ciganos, Batuque, Igreja da Unificação e Associação de Famílias.

Em outro momento de espiritualidade, no dia 19, que foi organizado pelo CONIC, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, ganhou relevo o tema da esperança e compromisso com a Paz na Criação de Deus. A celebração foi dirigida por D. Nelson Francelino, da Igreja Católica Apostólica Romana, a pastora Christine Drini, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, o pastor José Roberto Cavalcante, da Igreja Presbiteriana Unida e o reverendo Daniel Rangel, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, que contaram ainda com a presença da teóloga Maria Clara Bingemer, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). O acolhimento invocou o poder de Deus Criador, pediu iluminação para as igrejas cristãs, para que assumam o compromisso de responder aos apelos divinos. Durante o canto do hino Louvado Seja Meu Senhor, foram trazidos os quatro elementos ao altar (terra, fogo, água e ar). O momento de escuta da Bíblia foi antecedido pelo hino “Quão grande És Tu”, seguido da Oração de Compromisso, pedindo que “nesta Cúpula dos Povos da Rio+20 nos convertamos e vejamos que a criação geme em dores de parto, para que possa renascer segundo o vosso plano de amor, por meio da nossa mudança de mentalidade e de atitudes”.

Outro destaque foi para a Mesa de Debates organizada pela associação Religiões por Direitos, sobre “Religiões e Meio Ambiente”, para apresentar as perspectivas teológicas de cada tradição de fé em relação ao tema do Meio Ambiente, debatido na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). As Igrejas e religiões apresentaram sua compreensão da Criação do Mundo (cosmogonia) e perspectiva teológica para o Cuidado do Planeta. As duas percepções, interligadas, estão no cerne das posturas que cada tradição tem do meio ambiente. Estiveram presentes o Pastor Walter Altmann, moderador do Conselho Mundial de Igrejas, Rabino Sérgio Margulies e também Jeanette Erlich, secretária executiva da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, D. Francisco de Assis da Silva, bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o pastor Nilton Giese, secretário geral do Conselho Latino-americano de Igrejas (CLAI),Sami Armed Isabelle, diretor da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro, Ialorixá Laura Teixeira, do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileiras, o Padre Elias Wolff, assessor de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso e também D. Francisco Biasin, bispo da Comissão Episcopal, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, entre diversos outros líderes (veja aqui a Carta das Religiões e o Cuidado da Terra, que resultou desse debate).

Os avanços da Rio 92 à Rio+20 foi o tema do destacado diálogo entre os teólogos Walter Altmann, ex-presidente do Conselho Latino-americano de Igrejas e da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e moderador do Conselho Mundial de Igrejas, e Leonardo Boff, escritor, professor, conferencista e respeitado pela exposição da Teologia da Libertação, da defesa de causas sociais e questões ambientais. Altmann começou lembrando que em 1992 havia uma sintonia maior com a população e que neste ano há um pequeno aspecto positivo que é a luta da sociedade para a erradicação da pobreza. Disse que o relato bíblico do livro do Gênesis mostra Deus confiando ao homem o domínio da terra, observando como essa perspectiva serviu par justificar explorações, crimes e exageros de toda natureza ao longo dos séculos. Já Boff chamou a atenção dos líderes dos países para a necessidade de dar passos, pois “... aonde chegamos metemos medo, fazemos fugir as demais espécies. Onde domina o pensamento econômico e as forças globalizantes, cresce a pobreza, a exploração e a fome”. E apelou: “Precisamos querer viver”. Viver exige respeito à Terra, com seus 4 trilhões de anos, na qual há vida há 3,8 trilhões de anos e presença humana apenas nos últimos 9 milhões de anos.

Por fim, destaque também para o lançamento, pela Rede Ecumênica de Juventude (REJU), do livro Juventude e justiça socioambiental: perspectivas ecumênicas. Contou com uma performance de jovens, narrando o cuidado com a natureza. O livro foi organizado pelo cientista da religião Daniel Souza e é dividido em quatro partes. Na primeira, apresenta textos problematizadores, levantando questões da atualidade. Na segunda, traz estudos bíblicos, discutindo reações e diálogos na terceira, e apresentando roteiros para os encontros, na quarta parte. Dos palestrantes presentes, a teóloga Ivone Gebara, o teólogo Marcelo Schneider e o filósofo Jorge Atílio Iulianelli, a fala de Ivone Gebara foi a mais tocante. Ela escreveu a terceira parte do livro, junto com Silvia Regina de Lima, Leonardo Boff e Jorge Atílio Iulianelli. Gebara debateu os diálogos intergeracionais, discutindo as tensões entre pais, filhos e netos e como podem se tornar produtivas quando superam as diferenças de cada época, as leituras próprias de cada cultura e ambiente e, sobretudo, quando partilham os sonhos de pessoas de gerações distintas, mas empenhadas na mesma luta. Enfim, muita gente boa conspirando pela colaboração entre as criaturas e pela Integridade da Criação!

Veja mais Religiões na Rio+20 aqui no blog.

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